Testes Cutâneos por Picada numa População Pediátrica Portuguesa: Estudo Transversal Multicêntrico de Perfis Clínicos e de Sensibilização Alérgica
DOI:
https://doi.org/10.20344/amp.23882Palavras-chave:
Alergénios, Criança, Hipersensibilidade, Portugal, Testes CutâneosResumo
Introdução: As doenças alérgicas, em particular a rinite alérgica e a asma, são frequentes em idade pediátrica e estão muitas vezes associadas a sensibilização a alergénios inalantes. Apesar disso, dados sobre os perfis de sensibilização na população pediátrica portuguesa são escassos, sobretudo no que diz respeito à variabilidade regional e demográfica. Neste contexto, propusemo-nos caracterizar os perfis clínicos e de sensibilização a alergénios numa população pediátrica com doenças alérgicas em Portugal, através de uma abordagem multicêntrica.
Métodos: Realizou-se um estudo retrospetivo, transversal, em 14 hospitais portugueses, entre janeiro de 2021 e junho de 2023. Foram incluídas crianças e adolescentes (< 18 anos) com diagnóstico clínico de doenças alérgicas e pelo menos um teste cutâneo por picada positivo para alergénios inalantes. Os dados demográficos, clínicos e ambientais foram obtidos através dos processos clínicos eletrónicos. Os testes cutâneos por picada seguiram as recomendações da European Academy of Allergy & Clinical Immunology. A análise estatística foi efetuada através do software IBM® SPSS® Statistics, versão 29.
Resultados: Foram incluídos 3456 doentes (60,5% do sexo masculino; mediana de idade de 10 anos). As patologias mais frequentes foram a rinite alérgica (78,1%) e a asma (54,5%), com coexistência de ambas em 43,1%. A sensibilização mais frequente foi a Dermatophagoides pteronyssinus (84,3%) e Dermatophagoides farinae (74,3%), seguida de Lepidoglyphus destructor (57,8%), pólenes de gramíneas (60,4%) e Blomia tropicalis (23,5%). A polissensibilização foi observada em 58,4% dos casos, variando com a idade. Identificaram-se diferenças geográficas: a sensibilização a ácaros foi mais prevalente em zonas costeiras, enquanto a sensibilização a pólenes, fungos e epitélio de animais foi mais frequente em regiões do interior. As crianças imigrantes (14,2%) apresentaram taxas inferiores de sensibilização, apesar de prevalência clínica semelhante.
Conclusão: Tanto quanto é do nosso conhecimento, este é o primeiro estudo multicêntrico a descrever os perfis de sensibilização a alergénios na população pediátrica em Portugal. As elevadas taxas de polissensibilização e a variabilidade geográfica reforçam a importância de estratégias diagnósticas dirigidas. Os testes cutâneos por picada mantêm-se fundamentais na abordagem inicial das doenças alérgicas.
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