Prevalência de Demência e Declínio Cognitivo nas Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas Portuguesas: Um Estudo Transversal
DOI:
https://doi.org/10.20344/amp.23847Palavras-chave:
Avaliação Geriátrica, Demência/epidemiologia, Disfunção Cognitiva/epidemiologia, Doença de Alzheimer/epidemiologia, Instituição de Longa Permanência para Idosos, Instituições Residenciais, PortugalResumo
Introdução: A demência é uma das principais causas de dependência entre pessoas idosas e representa um desafio crítico para os sistemas de cuidados de longa duração. Apesar da relevância do tema, os dados nacionais sobre a prevalência de demência em estruturas residenciais para pessoas idosas permanecem escassos.
Métodos: Realizou-se um estudo transversal, observacional e de base institucional, integrado no projeto SINDIA. O estudo baseou-se num inquérito online dirigido às direções técnicas das estruturas residenciais para pessoas idosas em Portugal, conduzido entre janeiro e julho de 2024. O questionário recolheu informação sobre características institucionais (sector, localização territorial, valor-base da mensalidade, especialização em demência, número total de residentes) e sobre a prevalência de demência diagnosticada e de declínio cognitivo sem diagnóstico registado. As análises foram efetuadas com o programa R (versão 4.1.2), tendo sido calculadas percentagens médias e intervalos de confiança a 95% (método t de Student), ponderados por região NUTS-2. Procedeu-se ainda a uma análise de clusters hierárquica (método de Ward) para identificar perfis institucionais diferenciados.
Resultados: Em média, 31,7% dos residentes apresentavam diagnóstico de demência e 22,3% suspeita de declínio cognitivo sem diagnóstico registado, totalizando 50,2% da população residente, após eliminação de algumas observações da amostra. A proporção variou segundo o território, o sector institucional, o valor da mensalidade e a especialização na demência autoidentificada. Uma análise de clusters revelou três perfis institucionais distintos, destacando-se um grupo maioritário de ERPI com baixa formalização diagnóstica, sobretudo no sector solidário e em instituições com preços mais reduzidos.
Conclusão: Os resultados apontam para uma elevada prevalência de demência e de declínio cognitivo sem diagnóstico registado em contexto de estruturas residenciais para pessoas idosas em Portugal. Estes resultados reforçam a necessidade de políticas públicas que promovam o diagnóstico precoce, a qualificação das equipas e a redução das desigualdades territoriais e institucionais na resposta à demência.
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