FACTORES PREDITIVOS DE MORBILIDADE E MORTALIDADE HOSPITALAR e aos seis meses em doentes idosos hospitalizados

 

Este artigo apresenta os resultados de um estudo prospectivo e multivariável de doentes idosos com idade superior a 70 anos, hospitalizados num Serviço de Medicina de um Hospital Central de Lisboa, realizado com o objectivo de identificar, no início do internamento hospitalar, factores preditivos de mortalidade hospitalar e aos seis meses, de internamento em lar na altura da alta hospitalar e durante um período de seis meses após a alta, da duração do internamento e de reinternamento hospitalar aos seis meses.

 

Foi estudado um total de 158 doentes, com uma média de 15 dias de internamento (DI) e uma mortalidade hospitalar (MH) de 12%. As principais patologias que motivaram o internamento foram o acidente vascular cerebral (22 %), a insuficiência cardíaca de etiologia múltipla (20 %) e a pneumonia (16 %). A mortalidade aos seis meses foi de 29% e o reinternamento hospitalar aos seis meses de 24%. O facto do doente ser cuidado pelo cônjuge associou-se significativamente (p= 0,006) a um internamento mais curto. Os DI não estavam correlacionado de forma significativa com qualquer outra variável. A MH correlacionou-se significativamente com a avaliação subjectiva do médico à entrada (p=0,001), era maior quanto menor a pontuação das Actividades de Vida Diária (AVD) prévia e no início do internamento, quanto menor o valor de albumina sérica (p<0,001) e quanto maior o valor dos leucócitos (p= 0,005). A institucionalização à data da alta foi influenciada unicamente pelo diagnóstico de admissão de patologia cerebrovascular. A mortalidade aos seis meses correlacionou-se significativamente com a avaliação subjectiva médica à entrada (p=0,001); com as AVD no início do internamento (p<0,001), com as AVD anteriores ao internamento (p=0,008), com a permanência num lar (p=0,005) e com o estado mental (p=0,01), sendo tanto maior a mortalidade quanto maior o déficit de cognição. O reinternamento aos 6 meses correlacionou-se significativamente com a avaliação médica à entrada (p=0,04) e com a redução das AVD causada pela doença e internamento (p=0,004). Com base nestas correlações foram desenvolvidos modelos matemáticos que permitem prever a MH, a mortalidade aos seis meses, a alta hospitalar para o lar e o internamento num lar entre a alta hospitalar e os seis meses. Estes dados podem ser importantes na implementação de medidas preventivas no início do internamento e na melhoria da estratégia necessária para uma alta hospitalar que permita uma reabilitação digna e eficaz dos doentes idosos.

Palavra-chave: Doentes idosos; mortalidade; morbilidade; preditivos.