| Prevenção secundária no Enfarte Agudo do Miocárdio |
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O enfarte do miocárdio continua a ser uma das principais cusas de mortalidade e morbilidade nos países acidentais. Os avanços conseguidos nos últimos 30 anos permitiram reduzir significativamente a sua mortalidade, que se situa presentemente abaixo dos dois digitos, e também a morbilidade. |
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Neste contexto ganha particular significado o tema da prevenção secundária do enfarte do miocárdio. É que 10 a 15% dos doentes que sobrevivem à fase hospitalar do enfarte do miocárdio morrem durante o primeiro ano após a alta e, destas mortes, metade ocorrem nos primeiros três meses. É portanto, necessário definir, precocemente o risco de novo acidente coronário, isto é, proceder à estratificação do risco. Esta decorre ao longo de todo o internamento devendo estar completada à data da alta, nunca para além das primeiras semanas de evolução. Tendo em conta a idade, sexo, os factores de risco coronário, a persistência de isquemia, grau de disfunção ventricular esquerda e presença de disritmias malignas definem-se três níveis de risco: alto, intermédio e baixo. Numa abordagem global da prevenção secundária do enfarte deve considerar, para além dos factores referidos na definição dos grupos de risco, de tão elevado significado prognóstico ( capítulo II ), as medidas destinadas a a reduzir o reenfarte e morte súbita (capítulo III) e o controlo dos factores de risco de doenças coronárias (capítulo IV). No capítulo II abordam-se as principais complicações tardias do enfarte com significativo peso prognóstico: a disfunção ventricular esquerda, as perturbações de ritmo e a isquemia residual. Em cada um dos grupos consideram-se os critérios de diagnóstico e os objectivos da terapêutica realçando os avanços solidificados segundo o conceito moderno de medicina baseada na evidência, de acordo com as recomendações internacionais. Apresenta-se, em conformidade, em relação às propostas terapêuticas uma gradação da evidência científica (G.E.C.) em três categorias distintas, A, B e C, apoiadas em cinco níveis de evidência classificadas de I a V. No capítulo III aborda-se um conjunto de intervenções terapêuticas utilizadas na prevenção secundária por reduzirem o reenfarte e a morte súbita: antiagregantes plaquetários, anticoagulantes, bloqueadores Beta, bloqueadores dos canais de cálcio, antioxidantes e nitratos. Para cada um destes grupos de fármacos é apresentado, em destaque, um conceito considerado de significado clínico particular. Na última parte faz-se uma revisão global, eminentemente clínica, dos principais avanços no controlo dos factores de risco coronário, novas aquisições terapêuticas na doença aterotrombótica com natural relevo para os agentes hipolipidemiantes, as estatinas, que além de controlarem os níveis plasmáticos de colesterol, estabilizam a placa aterosclerótica reduzindo, de forma significativa os aci-dentes coronários agudos. Além da deslipidemia são considerados os factores de risco clássicos: tabagismo, hipertensão arterial, obesidade, diabetes, sedentarismo, referindo em cada caso as medidas gerais e as específicas tendentes a controlá-lo e, bem assim a terapêutica farmacológica aconselhada pela medicina baseada na evidência. As atitudes recomendadas são postas em destaque. O lugar da reabilitação cardíaca e da terapêutica hormonal de substituição pós-menopausa são igualmente discutidos na parte final destas recomendações, em que se evidencia a continuação da controvérsia sobre a terapêutica hormonal de substituição à luz dos ensaios clínicos mais recentes. |
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