Subclasses de Imunoglobinas e Doseamento de Anticorpos Específicos

 

Introdução: As pneumonias recorrentes são mais frequentes em crianças com defeitos do sistema imunitário. O doseamento de imunoglobulinas e subclasses não permite identificar todos os doentes com defeitos da imunidade humoral pois estão descritos casos em que estes doseamentos são normais e a criança não consegue produzir anticorpos contra antigénios proteicos ou polissacáridos.

 

Objectivo: Estudar a função imunitário humoral em crianças com pneumonias recorrentes e avaliar quais os testes de maior utilidade na abordagem inicial destas situações. Método: Foram estudadas 43 crianças com pneumonias recorrentes referenciadas à consulta externa de pneumologia. As causas mais importantes de infecções pulmonares recorrentes foram excluídas pela clínica, radiologia ou análise laboratorial. O estudo imunológico incluiu o doseamento de imunoglobulinas e subclasses, isohemaglutininas e a capacidade de formação de anticorpos em resposta à imunização para o tétano, rubéola, Haemophilus influenzae e polissacárido capsular pneumocócico. Resultados: A maioria das crianças apresentou níveis de IgG ou subclasses normais ou elevados. Apenas três crianças revelaram níveis baixos de IgG2 e IgA isolados ou em combinação. Onze crianças não produziram anticorpos contra antigénios proteicos. Uma criança não produziu anticorpos após a administração de vacina anti-pneumocócica. Conclusões: Num número considerável de crianças com pneumonias recorrentes é possível demonstrar uma alteração imunológica humoral. Não parece existir relação entre o doseamento de subclasses de IgG e a capacidade da criança de produzir anticorpos quando estimulada. O doseamento de anticorpos específicos parece importante na avaliação inicial destas crianças.