| Lesões do Colo Uterino e Infecção pelo Vírus do Papiloma Humano (HPV) Detecção e tipificação do ADN/HPV por PCR (Reacção de amplificação enzimática) |
|
Num estudo retrospectivo realizado em material histopatológico de arquivo, pretendeu-se avaliar a prevalência da infecção HPV em lesões intra-epiteliais e cancro do colo uterino. O grupo de mulheres estudadas (n=84) com idades compreendidas entre os 2l-67 anos (média, 40 anos) foi seleccionado a partir de uma população que, submetida ao Rastreio Citológico do Cancro do colo uterino realizado na Zona Centro entre 1990/94, havia sido sujeita posteriormente a biópsia dirigida por colposcopia, na Consulta de Ginecologia do Centro de Oncologia de Coimbra. |
|---|
|
A detecção e tipificação do ADN/HPV nas amostras estudadas foi realizada pela técnica de amplificação enzimática (PCR), no Laboratório de Virologia do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, Lisboa. A prevalência da infecção pelo HPV encontrada, para o global das lesões cervicais consideradas em baixo grau (LSIL), alto grau (HSIL) e cancro, foi de 97.8%. Verificou-se um predomínio dos tipos de HPV de baixo risco (HPV6/11) nas lesões LSIL (83.3%), e dos genótipos de alto risco (HPV 16,18,3 1,33 e 51) nas lesões HSIL (58.4%) e nos casos de cancro do colo (100%), demonstrando-se a existência de uma diferença estatisticamente significativa na infecção HPV por tipos de baixo e alto risco, entre as mulheres que apresentavam lesões cervicais de baixo e alto grau. Considerando os factores de risco para cancro do colo (idade de início de actividade sexual, número de parceiros sexuais, índice de paridade, uso de contraceptivos orais) não se encontraram diferenças estatisticamente significativas, entre lesões de baixo e alto grau. Foi ainda realizada a análise do acompanhamento clínico e terapêutico a que foram submetidas posteriormente estas doentes (biópsia, conização frio/laser, curetagem, diatermocoagulação, vaporização laser, histerectomia total, wertheim meigs), durante um intervalo de tempo de cinco anos ( 1990-1994). Concluíu-se que, de uma forma geral, existiu uma coincidência dos critérios clínicos adoptados com a detecção e tipificação do HPV realizada à posteriori, em especial para as lesões de alto grau (HSIL) e cancro do colo, onde as terapêuticas utilizadas haviam sido frequentemente mais radicais e onde a infecção HPV persistiu frequentemente, estando associada a tipos de alto risco (HPV 16 em 50% dos casos). Por outro lado, nas lesões de baixo grau (LSIL), as quais foram clinicamente orientadas de modo mais conservador, constatou-se que a detecção da infecção HPV permite identificar mulheres que, por terem associados tipos de HPV de alto risco estarão em maior risco de desenvolver uma neoplasia do colo uterino. |
|---|