O Médico de Família e o Doente Seropositivo para o Vírus de Imunodeficiência Humana

 

Objectivos: Caracterizar os doentes seropositivos para VIH seguidos na Consulta de Imunologia Clínica do Hospital Geral Santo António, do ponto de vista demográfico e sócio-económico;Determinar a percentagem desses indivíduos que têm Médico de Família; Determinar a frequência de recurso ao Médico de Família por esses doentes;

 

Determinar os motivos de procura/consulta mais frequentes, do Médico de Família, pelos mesmos; Determinar se houve alteração dos motivos de consulta, ao Médico de Família, por parte desses doentes, após estabelecido o diagnóstico de seropositividade para VIH; Determinar quem fez o diagnóstico de seropositividade para VIH; Avaliar sob o ponto de vista desses doentes, se houve alteração da atitude do Médico de Família e vice-versa, pós diagnóstico. Caracterização do estudo: O estudo, transversal descritivo, decorreu no período compreendido entre 30/Ol/97 e 13/03/97. Métodos: Um questionário composto por 22 perguntas, foi realizado através de entrevista pessoal, a uma amostra acidental de l00 doentes seguidos na Consulta de Imunologia Clínica de H.G.S.A., representando 40 % da população em estudo. Resultados: Responderam ao questionário 100 doentes, sendo 73 do sexo masculino e 27 do sexo feminino, com uma idade média de 34,73 anos. A maioria eram solteiros, representando 44% da amostra, 33% tinham o primeiro ciclo do ensino básico (ou equivalente) e 28% o terceiro ciclo completo ou incompleto. 35% dos indivíduos que constituíram a amostra estavam empregados e 34% desempregados. Quanto à área de residência, a maioria (76%) residia na Área Metropolitana do Porto. A maioria (85%) dos doentes tinham Médico de Família. Mas, aproximadamente 1/3 nunca a ele recorreu ou recorre, e destes, a maioria fá-lo raramente. Depois do diagnóstico de seropositividade para VIH, os motivos de procura do Médico de Família mais vezes mencionados foram do foro administrativo (pedido de receitas - 24,56% seguido do pedido de Baixa - 21,05%). Antes do diagnóstico, são os problemas de saúde (27,54%) que ocupam o primeiro lugar. O diagnóstico foi feito em igual proporção (28%) pelos serviços do H.G.S.A. e por instituições de atendimento a toxicodependentes. Na maior parte dos casos, e na opinião do doente, não houve alteração da atitude do Médico de Família após o diagnóstico de seropositividade para o VIH e vice-versa. Comentários: Apesar da maioria dos doentes que constituíram a amostra ter Médico de Família, a sua procura é reduzida, levando a um desperdício de oportunidades de intervenção em termos de cuidados de saúde primários, secundários e terciários.