Declaração obrigatória de doenças trasmissíveis: O que pensam os médicos

 

Objectivos: Conhecer a opinião dos médicos de família sobre a declaração obrigatória de doenças transmissíveis (DODT) e analisar factores associados a uma boa atitude face à DODT. Métodos: Estudo transversal analítico. População constituída pelos médicos com funções assistenciais, no total de 52. Aplicou-se um questionário de opinião, que incluía questões sobre utilidade da DODT, razões da subnotificação, actualidade da lista das doenças de declaração obrigatória, facilidade do preenchimento da DODT e auto-avaliação da atitude quanto ao preenchimento.

 

Procedeu-se à análise da utilidade da DODT e da auto-avaliação do preenchimento em função dos anos pós-formatura, dimensão da lista de utentes, dedicação exclusiva e obtenção do grau de generalista. Resultados: Para 96% dos inquiridos, a DODT tinha pelo menos alguma utilidade. 59% atribuíram a subnotificação ao excesso de trabalho / falta de tempo ou a falta de sensibilização para a notificação. 46% consideraram desactualizada a lista das doenças de declaração obrigatória. Para 38% não havia inconvenientes na notificação múltipla e 54% consideraram notificar sempre ou quase sempre. Os médicos em dedicação exclusiva consideraram ter uma maior aderência à notificação (p<0.05) e os que consideraram notificar mais tinham listas com menor numero de utentes (p>0.05). Conclusões: A notificação foi considerada útil pela esmagadora maioria dos inquiridos. A subnotificação foi atribuída, pela maioria dos médicos em exclusividade de funções e com listas de utentes de menores dimensões apresentaram uma melhor atitude face à DODT.