Meniscopatia e postura

 

A finalidade deste trabalho pretende ultrapassar a perspectiva localizada das meniscopatias, sobretudo no referente às consequências das meniscectomias, ao estudá-las numa dimensão comportamental e, dentro desta, no âmbito da actividade postural, estabelecendo, por fim, uma relação entre as dimensões mencionadas. A meniscectomia leva invariavelmente a alterações de tipo degenerativo a nível do joelho - não suficientemente explicadas por factores locais - que terminam num quadro de artrose.

 

Nesta perspectiva, e uma vez que existem estudos nos quais se demonstra a ocorrência de alterações bioquímicas, o processo artrósico não deveria ficar confinado ao campo da responsabilidade mecânica , tendo sido igualmente verificado que o sistema nervoso (SN) era susceptível de influenciar manifestações inflamatórias, através de fibras aferentes pouco mielinizadas e de fibras simpáticas eferentes existentes nas articulações. São estas fibras que, ao interagirem com elementos não neurogénicos, por intermédio de neuromediadores, como a substância P(SP) e a nor-epinefrina (NE) - por eles próprios ou ainda através de outras substâncias - contribuem para a exacerbação do processo inflamatório. Tendo em vista correlacionar os factos acima mencionados, este estudo, de natureza longitudinal, compreende as seguintes vertentes - clínica, antropométrica, bioquímica e posturagráfica - sendo caracterizado por cinco momentos de recolha de dados, cuja periodicidade é referida ao momento da cirurgia: o primeiro , a anteceder a operação, seguido dos quatro , com seis semanas de intervalo entre cada um deles. A amostra , composta por 15 indivíduos do sexo masculino, de raça branca, com idades compreendidas entre os 20 e os 30 anos, trabalhando na Força Aérea, é dividida em dois grupos, de acordo com a quantidade de menisco excisado em sentido longitudinal. Assim o Grupo A - meniscectomia<1/2 longitudinal do corpo meniscal - é composto por sete indivíduos, com uma média de idades de 21,4 anos, e o Grupo B - meniscectomia>1/2 longitudinal do corpo meniscal - é composto por 8 indivíduos , com uma média de idades de 24,1 anos. O tratamento estatístico comporta uma vertente descritiva , através de parâmetros de tendência central - média - e de dispersão - desvio padrão e amplitude de variação - e uma vertente inferencial ou de comparação, através da análise de variância a uma dimensão - ANOVA-One Way. A probabilidade de erro escolhida foi de p<=0.05. Resultados - Foi verificado o registo duma melhoria a partir do 3º momento (12ª semana), sendo a involução muscular igualmente traduzida por uma involução na actividade postural ortostática, o que confirma uma interdependência entre a tonicidade muscular e a actividade postural. No referente às alterações metabólicas, não se verifica a existência duma evolução paralela à das outras variáveis, porquanto, e ao contrário dos sinais de recuperação destas últimas, as manifestações osteocartilagíneas de destruição e reconstrução são mais intensas . Por outro lado, as manifestações da actividade postural atingem os seus valores mais elevados, nos momentos que antecedem os dos protagonizados pelos substractos bioquímicos relacionados com as alterações osteo-articulares. Foi também verificada a alta definição dos testes posturográficos no diagnóstico de deficiências da actividade motora, como a inversão da amplitude de deslocação no eixo YY' relativamente ao dos XX', visível quando sobressai a prestação do membro doente, o que nos leva a admitir que este facto se encontra relacionado com a patologia meniscal.