Relação entre a obesidade e o nível educacional nos mancebos portugueses do sexo masculino em 1990

 

Objectivo: Descrever a importância relativa e avaliar a relação existente entre o nível educacional, o peso e a obesidade nos mancebos portugueses do sexo masculino. Tipo de estudo: Transversal, por consulta aos ficheiros do recenseamento militar nacional do ano de 1990, dos centros de selecção militar (norte, centro, sul e ilhas). Métodos: Em Portugal o serviço militar é obrigatório e a inspecção médica é anual tendo lugar no 20º aniversário.

 

Foram recolhidos os elementos relativos a 70.858 jovens portugueses do sexo masculino, com vinte anos de idade, inspeccionados em 1990. O peso e a estatura foram avaliados por equipas treinadas usando equipamento padronizado e calibrado. O grau de ensino foi confirmado pela entrega dos certificados de habilitações. Caracterizou-se a distribuição da população em decis do Índice de Massa Corporal (IMC). Foram considerados obesos, os indivíduos com IMC>=27,8 Kg/m2 tendo, igualmente, sido estratificados em grupos de A a D, segundo o seu grau de instrução (<5;5-6;7-9 e > =10anos de ensino). Determinou-se a escolaridade para cada decil do IMC, calculando-se a percentagem de obesos no respectivo grau de instrução. Avaliou-se, ainda, a probabilidade de associações específica deste, com a existência de obesidade. A associação foi estimada pelo cálculo dos Odds Ratio (OR), tendo os limites de confiança sido calculados para 95% e o nível de significância estatística estabelecida quando p<0,05. Resultados: O IMC médio da população estudada foi de 22,5 Kg/m2. Verificou-se um ligeiro acréscimo do grau de instrução, do menor ao maior decil do IMC. Um resultado semelhante foi obtido quando analisámos, em detalhe, a metade superior da distribuição do IMC. De acordo com o critério de obesidade definido, a percentagem de obesos por nível de instrução foi a seguinte: grupo A - 4.2%, grupo B - 5.0%, grupo C - 5.1%, grupo D - 5.4%. A probabilidade de existência de obesidade é, assim, maior nos grupos com maior grau de escolaridade. Os indivíduos com dez ou mais anos de escolaridade apresentam, face aos de 7-9 anos, um OR=1,05(0,94;1,17) não estatisticamente significativo (ns); enquanto que um OR=1,08(0,97;1,21) igualmente ns, face aos 5-6 anos e, finalmente, um OR=1,29(1,14;1,47) estatisticamente significativo (p<0,001) face aos que apenas têm 0-4 anos de escolaridade. Conclusões: Concluimos que a prevalência de obesidade nos jovens portugueses do sexo masculino é reduzida (4,9%), tendo apenas 2,1% um IMC>30kg/m2. Os nossos resultados mostram ainda que, em Portugal, ao contrário da maioria dos países da Europa ocidental, os jovens de vinte anos com escolaridade mais elevada, têm uma maior tendência para a obesidade, sendo esta probabilidade maior (+29%) e estatisticamente significativa, quando se comparam as classes com nível de escolaridade extremo.