Rickettsioses em Portugal

 

Após uma breve introdução sobre as rickttsioses em geral, analisa-se a febre escaro-nodular (FEN), fazendo a revisão da bibliografia mais significativa produzida em Portugal, onde a doença tem uma expressão significativa (cerca de 1000 casos notificados/ano). Traça-se o quadro epidemiológico, salientado o seu predomínio estival e o atingimento preferencial pelos grupos etários mais jovens. Embora tradicionalmente considerada uma doença benigna, nos últimos anos tem-se registado um aumento da sua mortalidade.

 

Os aspectos clínicos são polimorfos mas na maioria dos casos suficientemente sugestivos para permitir um diagnóstico clínico seguro. As complicações são possíveis e estão amplamente documentadas, sendo os idosos e os indivíduos com doenças crónicas debilitantes os mais frequentemente atingidos. A febre Q é também uma ricketsiose endémica em Portugal, embora com uma expressão numérica menos marcada (cerca de 50 casos/ano). No entanto, alguns inquéritos seroepidemiologicos sugerem uma importância bem maior, o que poderá dever-se à maior dificuldade no diagnóstico, ao desconhecimento dos quadros clínicos e eventualmente a um número importante de casos sub-clínicos ou autolimitados. Entre nós a febre Q apresenta-se maioritariamente na forma de síndrome febril com hepatite granulomatosa. Outras formas menos comuns são a pneumonia atípica e as manifestações do SNC. As formas crónicas são raras, quase sempre desenhando um quadro de endocardite.