Criptorquidia

 

Este artigo faz uma breve revisão da literatura sobre a migração testicular e as implicações clínicas da criptorquidia. A descida testicular é um mecanismo complexo mediado por factores endócrinos e mecânicos. Existem evidências, que este mecanismo ocorre em duas fases morfológicamente e hormonalmente distintas.

 

A migração trans-abdominal ocorre entre a 8ª e a 15ª semana de gestação enquanto a fase de migração inguinoescrotal ocorre entre a 28ª e a 35ª semana de gestação. A primeira é controlada pelo factor inibidor mulleriano (MIF), embora ainda seja controversa. A segunda fase é androgénico-dependente e mediada pelo nervo genitofemoral que liberta o peptideo relacionado com o gene da calcitonina (CGRP). O criptorquidismo pode assim resultar de muitos factores. A terapêutica com hCG, parece ser útil no diagnóstico diferencial com testículos retrácteis. A demonstração de alterações patológicas após o 1º ano de idade, tem orientado a correcção cirúrgica para idades muito precoces, mas o benefício clínico desta atitude necessita de um periodo de observação durante muitos anos.